Açúcar piora qualidade da pele a curto e longo prazo e atrapalha resultados de procedimento estético

Imagem: SXC
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No dia-a-dia, nossa dieta é composta principalmente de carboidratos, açúcares que são os principais responsáveis por fornecer energia para o nosso corpo. O problema é que o consumo em excesso desses açúcares, que incluem desde pães até os tão amados doces, pode causar uma série de consequências em nosso organismo, principalmente na pele. “Os alimentos ricos em carboidratos possuem um alto índice glicêmico, ou seja, são rapidamente digeridos e absorvidos por nosso corpo, chegando ao sangue na forma de glicose. Mas, como a glicose afeta a viscosidade do sangue, o fígado passa a produzir insulina para transportar a glicose para dentro das células e diminuir a quantidade da substância no sangue, chamada de glicemia. Porém, enquanto a glicemia está alta, na tentativa de diminuir de forma rápida a glicose no sangue, o organismo passa a produzir enzimas não habituais para ajudar no processo, o que gera a produção de radicais livres”, explica a cirurgiã plástica Dra. Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Isaps (International Society of Aesthetic Plastic Surgery). “E, como se não bastasse, a glicose ainda reage com outras proteínas do organismo, o que gera produtos finais da glicação avançada (AGEs) num processo conhecido como glicação, que ainda é piorada pela presença dos radicais livres.” Apesar disso, nosso organismo possui um mecanismo para se defender da formação dos radicais livres, chamado de sistema antioxidante. Mas, quando os radicais livres estão presentes em quantidades muito grandes, o sistema antioxidante não é suficiente, criando assim o estresse oxidativo. Mas, afinal, como tudo isso afeta a pele? Para ajudar a entender melhor, a Dra. Beatriz respondeu as principais questões que envolvem o tema. Confira:

Como o açúcar reflete na nossa pele a curto prazo? “Após um final de semana de comilança e muito doce, por exemplo, é comum acordamos inchados e com bolsas sob os olhos. Podemos até ter ganhado alguns quilos, mas não devido a gordura propriamente dita e sim pelo inchaço, que ocorre devido ao fato de o organismo precisar de uma grande quantidade de água para metabolizar a glicose e, logo, acaba retendo água para dar conta deste processo. E isso ainda piora caso tenhamos ingerido bebidas alcoólicas, já que o índice glicêmico do álcool é ainda maior que o do açúcar, provocando um aumento enorme da glicação e da produção de radicais livres, o que leva a uma inflamação generalizada. No fim, todo este processo de inflamar e desinflamar, inchar e desinchar, compromete as fibras da pele e gera um efeito cumulativo de radicais livres e glicação das fibras de colágeno e elastina que, consequentemente, favorece o surgimento da flacidez e do envelhecimento precoce.”

A longo prazo, o que uma dieta com muito açúcar gera na pele? “Como citei, os radicais livres e o processo de glicação, a longo prazo, podem causar o envelhecimento precoce do tecido cutâneo, pois afetam a produção e a estrutura das fibras de colágeno e elastina da pele. Mas, além disso, o estresse oxidativo causado pelo alto consumo de açúcar pode danificar o DNA das células e alterar seu funcionamento, diminuindo a atividade celular, o poder de cicatrização da pele, a imunidade e o metabolismo como um todo, favorecendo assim o aparecimento de doenças como câncer e aterosclerose.”

E como esse consumo influencia em procedimentos estéticos, como na recuperação de uma plástica? “Quanto melhor o metabolismo, quanto melhor a qualidade do colágeno, mais eficazes serão os resultados e a recuperação de qualquer procedimento estético. Isso por que a chave dos procedimentos estéticos é o estímulo de colágeno. Logo, pacientes com marcadores altos de estresse oxidativo, ou seja, que possuem excesso de radicais livres e um sistema antioxidante falho, têm mais riscos de sofrer com problemas de cicatrização e trombose quando submetidos à cirurgia plástica, por exemplo. Sendo assim, quanto melhor o metabolismo e menores os marcadores de estresse oxidativo, melhor a qualidade final das cicatrizes e os resultados dos procedimentos.”

É possível reverter os efeitos do açúcar em excesso na pele? Como? “É possível sim, através de um estilo de vida saudável. A somatória de diversos fatores, incluindo exercícios físicos e alimentação balanceada, pode diminuir o estresse oxidativo no organismo todo, inclusive na pele. Por isso, é importante que, primeiro, você passe a se preocupar com o que come. Pesquise o índice glicêmico dos alimentos, visite um nutricionista, incorpore alimentos antioxidantes e ricos em vitaminas e sais mineiras em sua dieta. A ingestão de água também é fundamental para ajudar na desintoxicação do organismo e, principalmente, para manter a pele hidratada, visto que, sem água em abundância, o organismo busca de onde menos precisa, sendo a principal atingida. A prática de exercícios físicos também é necessária já que este é o maior estimulante do nosso sistema antioxidante, além de ser um potente antioxidante por si só, já que o organismo utiliza os radicais livres para produzir energia quando precisa. Dormir é outro antioxidante, então tenha uma boa noite de sono. O uso de cosméticos com ativos antioxidantes, como vitamina C e E, também é uma boa opção para quem quer combater a presença dos radicais livres na pele. Por fim, é importante também cuidar dos fatores extrínsecos que favorecem a produção de radicais livres e acabam complementando a ação do açúcar, como o cigarro, parando de fumar, e a radiação solar, utilizando fotoprotetor diariamente.”

Qual a principal dica para quem quer começar a cuidar melhor da pele, mas consome muito carboidrato? “Pare de consumir carboidratos além do necessário. A preocupação não deve ser somente por causa da pele, mas por todo o metabolismo. Então pense no seu estilo de vida. A boa qualidade da pele e do organismo depende de dieta, atividade física, sono adequado, controle do estresse emocional e também cuidados cosméticos com o tecido cutâneo. O cuidado deve ser global. Se estiver tendo problemas para diminuir os carboidratos, troque os carboidratos simples, como açúcar e massas, por aqueles mais complexos, como os integrais, que possuem menor índice glicêmico. Além disso, tome mais água, mexa-se mais, vá a parques, conheça lugares diferentes, visite amigos, durma bem, esqueça a escada rolante, ande a pé, pratique exercícios físicos, invista em um bom filtro solar e hidratantes adequados ao seu tipo de pele e faça atividades prazerosas e relaxantes, como a meditação, que comprovadamente diminui o estresse oxidativo de forma global.”

fonte: Segs, escrita pela Dra. Beatriz Lassance

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