Brasil é campeão em cirurgia plástica de vagina

Imagem retirada de http://br.rfi.fr/ciencias/20170808-brasil-e-campeao-em-cirurgia-plastica-de-vagina
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Em 2016, foram quase 13 mil intervenções nas partes íntimas femininas só no Brasil, um aumento de 39% em relação ao ano anterior. Esse foi um dos destaques do relatório da sociedade internacional, que faz o levantamento através de questionários enviados a cerca de 35 mil cirurgiões plásticos no mundo.

Mas o que é a labioplasia? O dr. Henrique Arantes, cirurgião plástico e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, explica:
“Há duas formas de cirurgia. Existem pacientes com uma hipertrofia, ou seja, um aumento do tamanho dos pequenos lábios vaginais. Aí, faz-se uma cirurgia de redução para que fiquem menos expostos. Essa exposição pode gerar não só uma alteração estética, como se torna desconfortável para o uso de roupas intimas, na academia e até roupas de banho na praia, como também pode ter dor na relação sexual. Essa exposição também pode reduzir a proteção vaginal e a paciente ter uma maior incidência de candidíase, que são doenças causadas por fungos, que se desenvolvem quando há uma alteração do PH, ou da hidratação adequada da região. Há também o tratamento para os grandes lábios da vagina. Com o passar do tempo, com o envelhecimento, eles reduzem de volume e ficam com o aspecto murcho. Existe o procedimento, então, em que o volume é enxertado através de gordura ou até de ácidos hialurônicos, que funcionam como preenchedores”.

A psicóloga e sexóloga Priscila Junqueira fala sobre a importância da consciência do paciente a respeito do procedimento:
“Qualquer cirurgia dentro do campo da sexologia e da psicologia, percebemos que traz uma satisfação para a pessoa, desde o ponto de vista da autoestima. Existe uma questão de melhorar o prazer e a forma de encarar o seu corpo no sentido de favorecer uma relação sexual mais satisfatória. Mas o grande risco é o de a pessoa fazer essa operação só pela ilusão de uma imagem perfeita. Até tentam impor padrões, como tudo na nossa vida, algo que é uma ilusão, é imaginário. Cada padrão é de acordo com si próprio, cada mulher vai descobrindo o que é bom para ela. Em relação ao órgão sexual é passada a imagem de que a mulher vai ser mais desejada se tiver os grandes lábios ou os pequenos lábios de determinado tamanho, forma. E não é por aí. Primeiro a gente tenta identificar qual o significado que aquele órgão tem para a pessoa. Dessa forma a pessoa entra em contato com características da sua própria personalidade. Esse autoconhecimento é a grande base para tudo na nossa vida. Meu papel é ajudá-lo a pensar no significado que aquilo vai ter para ele e fazer ele entender que isso vai ter consequências, boas ou ruins, como tudo na vida”.

A seguir, o dr. Henrique Arantes fala sobre novas técnicas e cirurgias:
"Hoje temos como técnicas novas o uso de laser, de aparelhos com radiofrequência, ou ultrassom, que permitem o tratamento da região, sem a necessidade de cortes, ou de cirurgias mais invasivas. Acho que essa foi a grande evolução tecnológica na área. A segunda foi a melhora da qualidade do enxerto de gordura. Hoje a gente consegue retirar a gordura, tratá-la e reaproveitá-la de forma muito melhor. Isso promove então uma grande integração dessa gordura e uma melhora da qualidade do enxerto. Há também a lipoaspiração para redução do monte de Vênus, quando ele é muito volumoso. Ou cirurgias em que podemos fazer tratamento da musculatura da região perineal para aumentar a tonicidade muscular dessa região, principalmente para pacientes que já tiveram gestações com partos normais. E em casos extremos, cirurgias de reconstrução do hímen, principalmente em mulheres que sofreram abusos e querem fazer essa reconstrução”.

A Isaps constatou um aumento de 45% no número de cirurgias femininas íntimas de 2015 para 2016. O aumento de seios continua sendo a cirurgia plástica mais realizada (15,8%) entre as 2,5 milhões de procedimentos, seguida da lipoaspiração (14%) e da cirurgia de pálpebra (12,9%). As mulheres são as pacientes mais frequentes para cirurgias plásticas (86,2%) do que os homens.

fonte: RFI, escrita por Patrícia Moribe

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