Cada vez mais, adolescentes e jovens fazem cirurgias plásticas

Imagem retirada de https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/cada-vez-mais-adolescentes-e-jovens-fazem-cirurgias-plasticas/
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Quando Hayanna Macedo se olhava no espelho, até o ano passado, não se sentia muito bem com o reflexo. “Meu peito era muito pesado e caído, e isso me incomodava muito. Se eu usava decote, biquíni, não gostava do que via”, diz a estudante.

Foi então que, em maio de 2018, tomou uma decisão: iria mudar a sensação ruim. E, aos 20 anos, visitou um cirurgião plástico para colocar silicone. “Eu tinha medo do procedimento, do pós-operatório... Mas, depois que eu fiz, eu vi o quanto foi tranquilo e o quanto minha autoestima mudou. Hoje, consigo me olhar no espelho e me sentir bem com o que eu vejo”, afirma a estudante, agora com 21 anos.

Hayanna não está sozinha. Ao contrário: segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), foi registrado um aumento de 141% no número de procedimentos entre jovens de 13 a 18 anos nos últimos dez anos. A procura é tanta que o Brasil já passou os números dos Estados Unidos em termos de intervenções estéticas nessa faixa etária, se tornando o líder do ranking.

De acordo com a pesquisa Allergan 360° Aesthetics Report,  a geração millenial (de 19 a 35 anos) já não pensa ‘se’ fará tratamento estético, mas sim ‘quando’. Dessa turma, 61% (928 pessoas) dos entrevistados afirmou que a aparência contribui para melhorar todos os aspectos da vida.

Para Mariana*, essa evolução é uma realidade. Na época da escola, seu pai faleceu - e ela começou a engordar muito. “Cheguei a ter 114kg. Fui muito machucada com palavras nessa época, olhava no espelho e chorava”, lembra a publicitária.

Dois anos depois, descobriu que tinha hipotiroidismo e começou a se tratar e tentar, de várias formas, diminuir o peso. “Perdi 35kg. Finalmente, tinha emagrecido, chegado ao corpo que me fazia feliz... Só que meu peito murchou e caiu. E isso era um lixo com a minha autoestima. Eu já tinha ela baixa, já odiava meu corpo, era retraída, bloqueava as pessoas, não queria ninguém perto de mim... Sofria muito. Aí, conversei com minha mãe, a gente se organizou e eu botei silicone, em 2009, aos 20 anos”, recorda.

A advogada Iza Nunes, 32, também adotou silicone - e ficou contente com o resultado. “Acho que foi a melhor coisa que fiz na vida”, afirma. “Foi com 19 anos. Era uma coisa que eu queria muito, achava meu peito muito pequeno e amassado, odiava. Passei seis meses pensando sobre o assunto, conversando com várias pessoas que tinham colocado, pesquisando vários médicos, tipos e formas de botar... E meus pais super me apoiaram”.   

Por você
Especialista em cirurgia plástica, a médica Ana Paula Santiago, do Hospital Cárdio Pulmonar, percebe que, de fato, há um aumento na procura por procedimentos estéticos em pessoas de até 20 anos.

A vontade de fazer uma intervenção estética, porém, deve ser analisada. Muitas vezes, a mudança não é um sonho daquele jovem, mas sim parte de uma pressão psicológica.

“A gente tem que fazer parte de algo, é uma necessidade do ser humano. E, na adolescência, isso fica mais evidente. É preciso investigar o porquê daquela pessoa querer fazer essa cirurgia. É algo pontual, que te incomoda quando olha no espelho - e você quer mudar para se sentir melhor - ou é algo que você quer que os outros te vejam melhor? Você é vítima dos outros?”, pergunta Patrícia Caldeira, psicóloga, mestre em Psicologia da Família e professora do curso de Psicologia na FTC.

Isso foi percebido pela estudante Carolina*, 21 anos. “Fiz bichectomia quando tinha 19 anos. Sempre achei minhas bochechas grandes e, na época, estava rolando o boom de Kim Kardashian, Kylie Jenner, com aquela bochecha marcada, o osso aparecendo... E aí, ganhei o procedimento e fiz. Se não fosse um presente, não teria feito. Não me arrependi, mas, com a cabeça que tenho hoje, após dois anos, deixaria para lá. Tempos depois, a gente começa a apontar outros defeitos estéticos na gente, procurar outros ‘problemas’”, fala.

Heidi Montag, uma das estrelas de um reality show americano, The Hills, sofreu com o vício. Em 2009, de uma só vez, fez 10 procedimentos estéticos, aos 23 anos. Foi um processo tão intenso que ela chegou a ser decretada morta, na mesa do médico, por um minuto. Depois de um tempo, ela admitiu que estava viciada   - e declarou que não quer mais passar por isso de novo.

Outra coisa que é preciso se ter em mente é que ‘querer’ não é ‘poder’. “Um exemplo: o paciente me  pede um nariz fino, enquanto ele tem a base larga, bem diferente. Provavelmente, não dará certo, não haverá um balanço harmônico na face. É preciso seguir o padrão daquela pessoa, as restrições”, explica Gustavo Del Prato, médico otorrinolaringologista e membro da Academia de Plástica Facial.

Segundo Patrícia Caldeira, isso é um sinal de alerta. “Por que o famoso é uma referência? É preciso investigar esse comportamento - para não voltarmos àquilo de ser um ‘desejo’ da sociedade e não do próprio jovem. Se você acha que tem um algo que te incomoda e quer melhorar, não tem problema algum. Mas que seja por você”, diz a psicóloga. “Pessoas ansiosas querem resolver tudo na mesma hora e podem não pensar a médio e longo prazo”, segue.  

“Lembre que é uma cirurgia, tem pós-operatório, pode ocorrer hematomas e abrir pontos se não obedecer as restrições. Também há o tempo até o resultado final, que pode chegar até a um ano. Não dá para pular etapas. Vejo também quem quer fazer lipoaspiração para ‘emagrecer’ - e aí continua o estilo de vida e engorda tudo de novo. É preciso que várias coisas sejam levadas em consideração”, fala Ana Paula.

Considerando esses fatores, os profissionais muitas vezes indicam que o paciente jovem tire um tempo para refletir aquela cirurgia.

fonte: Correio*

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