Cirurgia plástica estética em adolescentes: o melhor é esperar um pouco mais

Imagem: Silvio Avila/Agência RBS
Imagem: Silvio Avila/Agência RBS

Vamos chamá-la de Maria. É uma jovem que acaba de completar 17 anos. Tímida, retraída, de pouca conversa e raros amigos. Lembro-me de vê-la desde o início da adolescência sempre vestida com camisetas largas e moletons. A mãe comentou com as amigas que Maria tinha vergonha de seu corpo, pois mesmo já estando na puberdade não adquiria aquelas formas arredondadas das outras meninas. Aos 15 anos, continuava magrinha, sendo muitas vezes alvo de brincadeiras dos outros, especialmente dos meninos. Um deles descobriu que ela usava sutiã com enchimento, e espalhou para a sala de aula inteira. Ela se sentiu tão mal com o bullying que pediu para a mãe trocá-la de escola.             

Tanto a menina incomodou os pais que eles concordaram com uma cirurgia para aumentar os seios, embora o médico recomendasse que seria melhor esperar um pouco mais, afinal, seu corpo ainda estava se desenvolvendo. Mas para ela aquela havia se transformado em uma questão de vida ou morte. Toda a sua esperança de ser feliz e aceita pelos colegas estava depositada na cirurgia. O procedimento foi feito, e festejado nos primeiros dias. Depois, Maria voltou a ficar calada, estranha.

_ Essa não sou eu mãe, _ disse, olhando-se no espelho ao colocar um vestido com um decote mais generoso, coisa que nunca tinha feito antes. Esteticamente, os novos seios são perfeitos. O problema está na cabeça de Maria, uma adolescente ainda cheia de grilos e dúvidas, próprias da idade. Os pais não sabem mais o que fazer para agradá-la, e talvez seja aí mesmo que resida o problema. A menina sonhava em ser popular na escola como são suas amigas, e achava que o problema estava em sua aparência. Um engano, claro.

É por problemas assim que os (bons) médicos insistem que os pais devem desestimular cirurgias plásticas essencialmente estéticas em adolescentes. Segundo a cirurgiã plástica Ivanoska Filgueira, procedimentos invasivos só devem ser recomendados para o público jovem em casos específicos, como em cirurgias reparadoras. A especialista alerta que em meio a tantas mudanças físicas e hormonais, com muita frequência o adolescente perde a sua referência de corpo e começa a querer acelerar esse processo, o que está errado.

É crescente o número de cirurgias plásticas realizadas em jovens com idades entre 14 e 18 anos. De acordo com os últimos dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o número mais do que dobrou em apenas quatro anos – saltou de 37.740 procedimentos em 2008 para 91.100 em 2012 (141% a mais).

fonte: ClicRBS, escrita por Viviane Bevilacqua

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