Conheça a cirurgia feita pela jogadora Tifanny Abreu

Imagem retirada de https://veja.abril.com.br/saude/conheca-a-cirurgia-feita-pela-jogadora-tifanny-abreu/
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A jogadora de vôlei Tifanny Abreu revelou em suas redes sociais que passou por uma cirurgia de feminização facial(CFF), em Málaga, na Espanha. O procedimento é comum entre mulheres trans e tem como objetivo suavizar os traços do rosto para deixá-lo com aspecto mais feminino. A modelo Lea T e a atleta aposentada Caitlyn Jenner também submeteram-u-se à técnica. De acordo com especialistas, nos últimos anos, houve um aumento na procura pela cirurgia e uma mudança no perfil dos pacientes.

“Há 10 anos, muitas pessoas que procuravam a CFF na Europa tinham mais de 45 anos já que aguardavam circunstâncias como filhos crescidos, estabilidade financeira e, em alguns casos, até mesmo o falecimento dos pais antes de iniciar a transição. Hoje percebemos que aumentou muito a quantidade de pessoas jovens e acompanhadas de suas famílias durante as consultas. O fenômeno está mudando.”, diz Daniel Simon, cirurgião buco-maxilo-facial na equipe cirúrgica Facialteam, clínica especializada no procedimento com unidades em Marbella, na Espanha, e em São Paulo.

A cirurgia de feminização facial, também conhecida como cirurgia de confirmação de gênero facial, já é realizada há 30 anos. No entanto, a técnica só começou a evoluir na última década, quando houve um crescimento no número de candidatas à cirurgia e de profissionais interessados em praticá-la.

“Havia pouca abertura da sociedade e dos profissionais à cirurgia, mas o cenário está mudando. Esse ano o tema foi inclusive um dos destaques da edição passada do Congresso Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial”, conta Simon. Nos últimos três anos, se produziu cientificamente 50% de tudo o que foi publicado sobre feminização facial na história.

A cirurgia
A técnica baseia-se em métodos já consagradas na cirurgia plástica ou buco-maxilo-facial, mas que são usadas especificamente para alterar a estrutura primária do rosto de pacientes trans. A quantidade de alterações vai depender do formato do rosto e das expectativas de cada paciente. “Geralmente, são feitas até seis cirurgias de uma vez, em cerca de quatro a seis horas. Mas não é regra”, afirma o cirurgião.

O trabalho se inicia no diagnóstico sobre o que tem de masculino naquele rosto. A cirurgia clássica inclui alterações na testa, nariz, queixo, mandíbula e no pomo-de-adão. Coadjuvantes a estes, também pode ser feita a feminização da linha do cabelo, do lábio, da orelha e de alguns tecidos moles.

O cirurgião plástico e o buco-maxilo-facial trabalham em conjunto para o tratamento da estrutura óssea e dos tecidos moles. “A cirurgia sozinha não tem a capacidade de transformar uma pessoa em mulher. Junto com a parte óssea, ou primária, a paciente terá que trabalhar no tratamento das características faciais secundárias como: textura da pele, volume e formato da linha do cabelo, eliminação permanente de barba e hormonioterapia, fatores que complementarão o resultado”, explica Simon.

Em pacientes jovens, é possível obter o resultado desejado com uma única intervenção. Já naqueles com mais de 45 anos, podem ser necessárias intervenções complementares para auxiliar na adaptação de tecidos moles e definição de contornos faciais.

Cirurgia reconstrutiva
Apesar de ser uma cirurgia facial, não é considerada uma cirurgia estética. “A CFF elimina traços faciais masculinos desenvolvidos na puberdade. O objetivo é facilitar o processo de transição da paciente para que ela possa projetar tanto para o mundo como para si mesma a imagem que realmente condiz com seu gênero”, diz Simon.

Alinhando expectativas
A expectativa da paciente é crucial para o resultado do procedimento. “Muitas pacientes não conhecem essa cirurgia. Quanto menos se conhece, mais expectativa se cria sobre ela. Por isso a primeira consulta é bem demorada, para alinhar essas expectativas.”, afirma.

O resultado final deve ser o mais natural possível, sem um “extreme makeover”. “Pacientes que procuram uma transformação muito grande são um sinal de alerta, porque não é essa a intenção e ela não vai ficar satisfeita com os resultados”, alerta o médico. A intenção é manter a identidade para que tanto ela, quanto a família, a reconheça após o procedimento.

“A principal preocupação dos pais que acompanham as filha na consulta é com uma possível perda de identidade. Eles querem ser capazes de reconhecerem seus filhos após o procedimento”, diz Thiago Tenório, cirurgião plástico na Facialteam Brasil.

O apoio da família, cuja presença tem se tornado mais frequente nos consultórios, ajuda na recuperação, contribuindo para a redução de possíveis problemas emocionais como tristeza, carência e depressão, que podem afetar diretamente na autopercepção da paciente após o procedimento.

Além do cirurgião plástico e do buco-maxilo-facial, a paciente é acompanhada por uma equipe multidisciplinar, que inclui, dentre outros, cirurgião capilar, cirurgião dentista, endocrinologista e psicólogo.

Resultados, recuperação e riscos
A recuperação é considerada tranquila. Na primeira semana, há um grande inchaço, mas sem muita dor. Em cerca de três a quatro semanas a paciente já pode retomar suas atividades normalmente. No primeiro dia já é possível ver as alterações da parte óssea, mas o resultado final só aparece após um ano, período necessário para as partes moles desincharem completamente e se adaptarem ao novo formato.

A maioria dos procedimentos buscam evitar uma cicatriz visível. Na testa, por exemplo, o corte fica escondido dentro do cabelo. Na mandíbula e no queixo, as incisões são dentro da boca e no nariz, praticamente não há cicatriz.

Os principais riscos são os associados a qualquer cirurgia, como infecção, sangramento e dor. “Quando realizada pela forma protocolizada, é segura”, afirma Simon.

Embora seja procurada principalmente por transgêneros em seu processo de transição, a técnica também é indicada para algumas mulheres ou homens com traços faciais estruturais considerados masculinos ou exagerados.

Os custos da cirurgia variam de 15.000 a 50.000 reais e, geralmente, são pagos pelo próprio paciente. A exceção é para países nórdicos, que já tem políticas de reembolso dos custos do procedimento e, segundo os especialistas, nos Estados Unidos começa a haver um movimento para que planos de saúde paguem as cirurgias.

fonte: Veja.com, escrita por Giulia Vidale

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