Por que o Brasil é uma superpotência da cirurgia plástica

Imagem: Bernadett Szabo/Reuters
Imagem: Bernadett Szabo/Reuters

Um dia após carregar a tocha olímpica no Rio de Janeiro, o cirurgião plástico Ivo Pitanguy morreu de ataque cardíaco em sua residência na cidade, em 6 de agosto.

A notícia foi repercutida internacionalmente - Pitanguy foi um dos cirurgiões plásticos mais famosos do mundo e, segundo o jornal britânico “The Guardian”, ajudou a tornar a cirurgia plástica uma área na qual o Brasil é reconhecido.

O país não é só a terra de cirurgiões plásticos renomados. Ele também é destino de estrangeiros em busca de operações embelezadoras e um dos países líderes no ranking de cirurgias para fins estéticos do mundo.

Cirurgias plásticas com fins estéticos são aquelas ligadas à beleza. Há também as cirurgias reparadoras, que corrigem lesões adquiridas, como o efeito de queimaduras, ou congênitas - “de nascença” -, como o lábio leporino.

Entenda por que o país é uma superpotência da cirurgia plástica.

Cirurgias plásticas em números
Segundo dados da Isaps (sigla em inglês para Sociedade internacional de cirurgias plásticas para fins estéticos), o Brasil é o segundo país com o maior número total de cirurgias plásticas com fins estéticos, logo após os Estados Unidos.

No artigo acadêmico “O imperativo da beleza no Brasil”, publicado em 2016 na “Revista Franco-Brasileira de Geografia”, a professora de história da PUC (Pontifícia Universidade Católica) Denise Bernuzzi de Sant’Anna, que também é autora do livro “História da Beleza no Brasil”, de 2014, fala da trajetória do país para se tornar referência mundial em cirurgias plásticas na década de 80:

“Nos anos 1980, o Brasil não era mais visto apenas como um paraíso verde e sim como um país paradisíaco para quem quer, por meios cirúrgicos, rejuvenescer e se embelezar. Um país no qual as mulheres não se sentiriam incomodadas em aderir às novidades do mercado da beleza, nem de exibirem seus corpos modificados cirurgicamente. Um lugar repleto de clínicas de beleza e com cirurgiões famosos internacionalmente.”

Hipóteses sobre por que a cirurgia plástica floresceu no Brasil

Status
Em um trabalho acadêmico de 2010 chamado “Beleza, Afeto, e Desigualdade no Sudeste do Brasil”, em uma tradução livre do inglês, o pesquisador Alvaro Jarrin, do College of the Holy Cross, argumenta que as cirurgias plásticas representam status. Quem melhora de vida faz cirurgias também como forma de marcar essa mudança.
“A beleza é usada por aqueles no poder para definir hierarquias sociais, e ao mesmo tempo é tomada pela classe trabalhadora como uma forma de cidadania que deveria estar disponível para todos (...) A classe trabalhadora está disposta a gastar com beleza não como uma forma de consumo conspícuo, mas porque entende a beleza como um prerrequisito para a inclusão social”

Alvaro Jarrin
No trabalho “Beleza, Afeto, e Desigualdade no Sudeste do Brasil”

Em seu artigo “O imperativo da Beleza no Brasil”, Denise Bernuzzi afirma que o embelezamento é definido frequentemente como um “milagre cirúrgico”.

“Ele tende a ser visto não apenas como uma maneira eficaz de fazer face às marcas do tempo sobre os corpos, mas uma prova – muitas vezes dita explicitamente - de que se possui tempo e dinheiro para cuidar de si”, diz.

Custo
Em entrevista concedida em 2014 ao jornal britânico “The Guardian”, João de Moraes Prado Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgiões Plásticos, afirma que um dos motivos pelos quais o país atrai estrangeiros para cirurgias é o fato de que os procedimentos por aqui são relativamente baratos.

Um lifting facial custa cerca de US$ 8.000 no Rio de Janeiro, e cerca de US$ 15 mil na Califórnia.

Sistema Único de Saúde
O governo do país também paga por diversas cirurgias plásticas por meio do Sistema Único de Saúde.

O procedimento para redesignação do sexo para transexuais mulheres - que nascem com o sexo masculino, mas se identificam com o gênero feminino - por exemplo, envolve feminilização facial, retirada do pomo-de-adão, inserção de silicone e a neovaginoplastia, que é popularmente conhecida como “cirurgia de mudança do sexo”.

Há também, por exemplo, cirurgias para correção do lábio leporino, uma fenda no lábio superior com a qual algumas pessoas nascem, correção de orelhas de abano, e de redução do seio.

País jovem
Em entrevista para o site da revista “Carta Capital”, Denise Bernuzzi, afirma também que, como o Brasil é um país com uma população relativamente jovem, a sociedade é mais crítica em relação a sinais de envelhecimento, o que impulsiona cirurgias.

“Na Europa, uma pessoa de 40 anos está no meio do caminho; aqui já é considerada velha. Fica difícil ostentar sinais da velhice, a tentação de usar os recursos da medicina e da tecnologia é enorme”, afirmou.

Fracasso pessoal
Segundo a pesquisadora, quem aceita a velhice é encarado no Brasil como alguém que desistiu. Por isso, é comum que se recorra a cirurgias para esconder efeitos da idade.

“Num país de jovens, uma aparência física rejuvenescida representa uma promessa poderosa de não exclusão do mercado de trabalho e, também, das relações amorosas”, afirmou em seu artigo de 2016 “O imperativo da Beleza no Brasil”.

fonte: Nexo, escrita por André Cabette Fábio

TIRE SUAS DÚVIDAS

Fone: 16 3632-5534

Whatsapp: 16 9 9797-4006 - para agendar consulta

WhatsApp: 16 9 9605-4085 - para tirar dúvidas

Whatsapp